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O inconsciente nas relações de trabalho: o que as empresas ainda não enxergam

  • 22 de mar.
  • 1 min de leitura

O inconsciente não fica do lado de fora quando atravessamos a porta do trabalho. Ele está presente nas relações hierárquicas, nas dinâmicas de poder, nos conflitos sutis e até nas escolhas de carreira. Por trás de cada decisão aparentemente racional, há um enredo simbólico que fala de desejo, reconhecimento e pertencimento. 


As organizações que ainda tratam o humano de forma instrumental, como recurso, negligenciam essa dimensão invisível que determina o comportamento coletivo. O mal-estar que se manifesta em absenteísmo, esgotamento e baixa motivação não é apenas um problema de gestão: é expressão de algo que o discurso corporativo tenta calar. 


A psicanálise oferece ferramentas para compreender o que não é dito. Ela permite decifrar o sentido oculto de certas repetições, líderes que reproduzem modelos autoritários, equipes que se sabotam, projetos que travam sempre na mesma etapa. O inconsciente atua onde há resistência. 


A escuta clínica, quando adaptada ao contexto organizacional, não busca corrigir condutas, mas compreender o sintoma como mensagem. Quando uma empresa se dispõe a escutar o que adoece, abre caminho para transformar não apenas processos, mas relações. 


Trabalhar com o inconsciente nas organizações não é “psicologizar” o ambiente de trabalho, é reconhecer que, sem olhar para a dimensão simbólica, qualquer política de bem-estar será apenas maquiagem sobre um mal-estar estrutural. 

 
 
 

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